Perito analisando gráficos jurídicos em tela com interface de inteligência artificial

Quando penso sobre como a tecnologia transformou a rotina dos peritos, advogados e contadores, não consigo deixar de me impressionar com o avanço da inteligência artificial na área de cálculos periciais. Nos últimos anos, percebi que o uso de algoritmos e automação não só revolucionou as práticas, como também ampliou as possibilidades de análise e interpretação de dados judiciais e extrajudiciais.

A trajetória da inteligência artificial na perícia

A inteligência artificial no ambiente pericial evoluiu de forma acelerada, acompanhando tendências globais de integração entre setores jurídicos, financeiros e tecnológicos. Recordo que, há pouco tempo, a coleta manual de dados, conferência de cálculos e análise documental consumiam boa parte do trabalho. Hoje, grandes volumes de informação podem ser processados em segundos, sem perder a precisão necessária para garantir laudos técnicos confiáveis.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, em 2024, 41,9% das empresas industriais brasileiras já utilizam inteligência artificial, uma elevação de quase 25 pontos percentuais em apenas dois anos. Se até processos industriais já se beneficiam da automação e aprendizado de máquina, fico evidente como o cenário de perícias segue no mesmo ritmo.

Tecnologia aplicada à análise documental pericial

Aplicações práticas da IA em diferentes áreas periciais

Durante minha experiência em cursos e pós-graduação, especialmente no IBCAPPA, notei que o maior impacto da inteligência artificial está em quatro grandes áreas: perícia trabalhista, cível, bancária e previdenciária. Em cada uma delas, o uso da IA redefine padrões tradicionais de análise e entrega resultados mais rápidos e confiáveis.

Perícia trabalhista

Lidar com rotinas de cálculo de horas extras, adicional noturno e rescisões exige precisão. Com machine learning e processamento de linguagem natural, sistemas analisam folhas de ponto digitalizadas (via OCR) e identificam padrões de inconsistências ou irregularidades, reduzindo o risco de erros humanos.

A Fundacentro, por exemplo, aponta que transparência algoritmica é necessária para garantir que os critérios decisórios em sistemas inteligentes sejam compreendidos por todos, evitando mal entendidos em controles de jornada ou perícias empregatícias.

Perícia cível

Controvérsias envolvendo contratos, indenizações e partilhas de bens frequentemente demandam cálculos volumosos. Sistemas automatizados organizam, auditam documentos, verificam cláusulas e indexam jurisprudência, permitindo que os peritos dediquem mais tempo à análise crítica.

Perícia bancária

Aqui observo talvez o uso mais intenso de dashboards e automação. Sistemas aprendem com padrões de cálculos de amortização, revisam contratos de financiamentos e detectam práticas abusivas em lançamentos bancários. O resultado é uma atuação mais ágil e proteção ao consumidor.

Perícia previdenciária

Analisar benefícios, contribuições e períodos de carência ficou menos moroso. A inteligência artificial ajuda a reconstruir históricos, conferir vínculos e calcular tempos de contribuição, sempre baseada em bases de dados públicas e privadas validadas.

E, como reforça o Ministério da Saúde, o uso da IA na saúde, por exemplo, mostra como as soluções inteligentes podem transformar áreas diretamente ligadas ao interesse público e ao bem-estar das pessoas.

Como a IA automatiza tarefas no cálculo pericial?

Vejo na prática diária que a automação acontece por etapas, cada uma tornando a jornada pericial menos burocrática e mais estratégica:

  • Preparação de dados: Ferramentas baseadas em IA extraem informações de documentos físicos e digitais com OCR avançado.
  • Validação automática: Algoritmos validam formatos, detectam ausências e inconsistências, sugerem correções e apontam possíveis fraudes.
  • Auditoria de cálculos: Scripts automatizados conferem cálculos de salários, parcelas, juros, atualização monetária e outros itens recorrentes em laudos.
  • Geração de laudos: Com machine learning e templates inteligentes, é possível criar relatórios claros, objetivos e formatados conforme exigências do judiciário.

Não posso deixar de ressaltar: Ainda que o ganho de velocidade seja enorme, a atuação crítica e a validação pelo perito permanecem insubstituíveis.

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Tecnologias por trás da inteligência artificial em cálculos periciais

Sempre achei curioso como diferentes tecnologias convergem para formar o “cérebro digital” das soluções periciais. Eu listaria quatro grandes pilares:

  • Processamento de linguagem natural (PLN): Capaz de ler, entender e sumarizar textos jurídicos e normativos, aumentando a qualidade das análises documentais.
  • Machine learning: Traz aprendizado contínuo com base em exemplos anteriores, aprimorando a detecção de padrões, outliers e incongruências nos cálculos.
  • OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres): Transforma imagens e PDFs em dados editáveis, acelerando a digitalização e a integração ao fluxo de trabalho do perito.
  • Dashboards e BI: Apresentam informações de modo visual e sintético, permitindo avaliação rápida e tomada de decisão assertiva.

Percebo que a integração dessas tecnologias forma sistemas robustos, capazes de entregar não só respostas, mas também insights valiosos para a defesa técnica dos peritos.

Benefícios observados na prática cotidiana dos peritos

A adoção de soluções inteligentes trouxe—em minha perspectiva—benefícios reais para profissionais e para o andamento das demandas judiciais e extrajudiciais.

Menos tempo gasto com tarefas repetitivas, mais tempo para análise estratégica.

Entre os resultados concretos, destaco:

  • Mais precisão: Redução drástica dos erros de cálculo, sobretudo nos pontos sujeitos a múltiplas interpretações ou mudanças de normativa.
  • Agilidade nas entregas: Prazos de produção de laudos foram encurtados em até 70% em alguns cenários, segundo relatos de colegas que atuam com automação.
  • Redução de custos: Com menos retrabalho e menor necessidade de auditorias manuais, os custos diretos e indiretos foram significativamente cortados, conforme experiências relatadas por órgãos públicos como a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul, que adotou automação para diminuir custos administrativos.
  • Consistência na metodologia: A IA padroniza procedimentos, fortalecendo a credibilidade do laudo e facilitando a atuação conjunta entre equipes multidisciplinares.
Profissional acompanhando resultados de IA em cálculo pericial

Impactos na defesa técnica e operacional do perito

Vejo um claro fortalecimento da capacidade de argumentação técnica do perito quando ele utiliza ferramentas inteligentes. Afinal, decisões baseadas em evidências processadas de maneira automatizada são mais facilmente auditáveis e replicáveis em outras instâncias.

Por meio de dashboards customizados, o profissional pode perceber rapidamente tendências e anomalias, apresentando informações de maneira transparente às partes e ao judiciário. Isso reforça a imparcialidade, tão exigida em perícias judiciais e extrajudiciais.

A necessidade de transparência no uso de algoritmos—reforçada em debates promovidos por entidades como a Fundacentro—garante que todos os envolvidos entendam os critérios que levaram a determinados resultados, afastando interpretações equivocadas ou contestações infundadas.

Exemplos práticos do uso da IA para reduzir custos e prazos

Trago aqui relatos que acompanhei dentro da atuação pericial e em ambientes acadêmicos como o IBCAPPA:

  • Em revisões bancárias extensas, algoritmos identificaram, em minutos, lançamentos indevidos que manualmente levariam dias para serem detectados;
  • No cálculo de liquidações trabalhistas com milhares de movimentos, automação reduziu prazos de entrega de laudo de várias semanas para poucos dias;
  • Já em auditorias previdenciárias, sistemas inteligentes identificaram fraudes e erros de preenchimento ocultos em grandes massas de dados de vínculos e períodos contributivos, evitando prejuízos previdenciários significativos e acelerando processos.

Essas experiências confirmam aquilo que sempre escuto de alunos e colegas: a inteligência artificial é capaz de transformar a realidade do perito, garantindo respostas ágeis sem perder o rigor técnico.

Mid section of man using laptop

Boas práticas para aplicar IA na perícia de forma segura

Eu diria que integrar soluções inteligentes à rotina pericial exige disciplina e critérios claros. Algumas práticas que considero indispensáveis:

  • Padronização dos métodos: Ferramentas precisam seguir modelos validados e consensuados, evitando resultados imprevisíveis.
  • Validação dos resultados: Antes de finalizar um laudo, sempre reviso os pontos gerados automaticamente, comparando com procedimentos tradicionais.
  • Treinamento contínuo: Peritos atualizados dominam melhor as soluções tecnológicas e são mais críticos na análise dos dados processados por IA.
  • Documentação rigorosa: Registros das etapas, logs dos sistemas e justificativas das escolhas são fundamentais para futuras auditorias.

Sempre oriento colegas e estudantes a buscar instituições confiáveis para formação continuada, como o próprio IBCAPPA, que oferece cursos de atualização em perícia judicial e extrajudicial.

IA complementa, mas não substitui o perito

Gosto de reforçar este ponto: Por mais avançadas que sejam as ferramentas de inteligência artificial, o julgamento crítico e a experiência do perito são insubstituíveis.

Relatórios recentes apresentados no Fórum Internacional da HTAi mostraram que, mesmo na avaliação inteligente de tecnologias em saúde, a supervisão humana é fundamental para validar resultados e decidir sobre recomendações técnicas.

Faço questão de dizer: a IA é uma aliada poderosa, mas a palavra final permanece sob responsabilidade do profissional qualificado.

Atualização profissional: fator de diferenciação no mercado

Em um cenário tão dinâmico, aprendi que investir na qualificação contínua é o caminho mais seguro para conquistar relevância e credibilidade. O IBCAPPA, por exemplo, prepara peritos, advogados, administradores e contadores justamente para liderar essa transformação digital, sempre enfatizando a ética, o rigor científico e a conexão com a prática.

Além disso, se você se interessa por debates sobre auditoria, recomendo visitar a seção auditoria do nosso blog. Quem trabalha com consultoria estratégica e busca aplicações práticas dessas tendências pode se aprofundar em consultoria e para temas de contabilidade inteligente, em contabilidade.

Conclusão

Depois de tantos avanços observados, minha visão é clara: a inteligência artificial aplicada a cálculos periciais representa uma virada positiva para o setor jurídico, tornando a rotina mais ágil, transparente e confiável. Os desafios existem, principalmente quanto à adoção ética e à necessidade de atualização constante, mas acredito que o futuro pertence àqueles que unem tradição e inovação.

Se você busca se capacitar e se destacar nesse novo universo de perícias inteligentes, convido a conhecer melhor os cursos, livros e experiências do IBCAPPA. Teste nossas aulas gratuitamente, descubra ferramentas e conceitos na prática e transforme sua atuação no mercado da perícia judicial e extrajudicial.

Perguntas frequentes sobre IA em cálculos periciais

O que é inteligência artificial em cálculos periciais?

A inteligência artificial em cálculos periciais refere-se ao uso de algoritmos, automação e técnicas de machine learning para extrair, organizar, validar e analisar dados envolvidos na elaboração de laudos judiciais e extrajudiciais. Isso envolve tecnologias como processamento de linguagem natural e reconhecimento óptico de caracteres, que apoiam o perito nas fases mais técnicas e repetitivas dos cálculos.

Como a IA melhora os cálculos periciais?

A IA melhora os cálculos periciais ao automatizar tarefas, detectar padrões, evitar erros manuais e acelerar a produção de laudos. Ela fornece relatórios padronizados, cruzamento inteligente de informações e maior capacidade de auditoria dos resultados, mantendo sempre a necessidade de análise final do perito.

Quais os benefícios da IA na perícia?

Os principais benefícios são: redução do tempo gasto em tarefas operacionais, aumento da precisão, diminuição dos custos diretos e indiretos, padronização dos métodos e maior transparência nas decisões. Além disso, a IA facilita a defesa técnica do perito, tornando os processos mais auditáveis e robustos.

A inteligência artificial substitui o perito?

Não. A inteligência artificial é uma ferramenta de apoio e não substitui o julgamento crítico, a experiência prática e a responsabilidade do perito. Sistemas inteligentes otimizam etapas, mas a etapa final de validação e tomada de decisão permanece humana.

Quanto custa aplicar IA em cálculos periciais?

O custo varia conforme a complexidade dos casos, a estrutura do escritório e as soluções escolhidas. Em geral, existem opções acessíveis, principalmente quando comparadas à redução de retrabalho, tempo e possíveis custos de erro. Muitas plataformas, como aquelas apresentadas pelo IBCAPPA, oferecem planos graduais, inclusive conteúdos gratuitos para experimentação inicial.

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Edilson Aguiais

Sobre o Autor

Edilson Aguiais

Edilson Aguiais é um especialista dedicado ao universo da perícia judicial e extrajudicial, com interesse em capacitar profissionais das áreas jurídica e financeira. Com ampla experiência em cursos e treinamentos para peritos, contadores, advogados, economistas e administradores, Edilson busca inovar na formação continuada, promovendo o desenvolvimento profissional prático e seguro para quem deseja se destacar no mercado de perícia.